{"id":72597,"date":"2026-05-08T13:45:20","date_gmt":"2026-05-08T16:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/unileao.edu.br\/?p=72597"},"modified":"2026-05-08T13:45:20","modified_gmt":"2026-05-08T16:45:20","slug":"quem-cuida-de-quem-cuida-de-mim-campanha-reflete-sobre-a-maternidade-para-alem-do-dia-das-maes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/?p=72597","title":{"rendered":"Quem cuida de quem cuida de mim? Campanha reflete sobre a maternidade para al\u00e9m do Dia das M\u00e3es"},"content":{"rendered":"<p>A sobrecarga materna n\u00e3o \u00e9 apenas uma percep\u00e7\u00e3o individual, mas um fen\u00f4meno social estruturado pela divis\u00e3o desigual do trabalho de cuidado. Historicamente associado \u00e0s mulheres, esse conjunto de tarefas, muitas vezes invis\u00edvel e n\u00e3o remunerado, segue impactando diretamente a sa\u00fade f\u00edsica e mental de m\u00e3es e pessoas que acumulam fun\u00e7\u00f5es dentro e fora de casa.<\/p>\n<p>Neste Dia das M\u00e3es, celebrado em 10 de maio, a Unile\u00e3o prop\u00f5e um deslocamento no olhar. Mais do que homenagens, a data convida para reflex\u00e3o: quem cuida de quem cuida de mim? O convite \u00e9 lan\u00e7ar aten\u00e7\u00e3o ao trabalho cotidiano das m\u00e3es, av\u00f3s, madrinhas, pais e outras figuras maternas.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de uma rotina que raramente desacelera, existe um trabalho silencioso, cont\u00ednuo e, em grande parte, invis\u00edvel. Organizar a casa, administrar compromissos, antecipar demandas e cuidar s\u00e3o tarefas que n\u00e3o terminam ao fim do expediente formal.<\/p>\n<p>A rotina da procuradora institucional da Unile\u00e3o, Suzana de Alencar, m\u00e3e de duas filhas, uma de 21 e outra de 28 anos, traduz essa realidade.<\/p>\n<p><em>\u201cTodos os dias s\u00e3o puxados. O meu dia come\u00e7a muito cedo. Eu trabalho aqui oito horas, eu tenho um hotelzinho para cachorro, ent\u00e3o quando eu chego em casa \u00e9 um terceiro expediente. E tenho uma casa. E quando chego, come\u00e7o a trabalhar mais ou menos at\u00e9 as 22h, quando eu venho buscar minha filha na faculdade. Todos os dias s\u00e3o assim, inclusive no final de semana\u201d<\/em>, conta.<\/p>\n<p>O cansa\u00e7o tamb\u00e9m faz parte da rotina. <em>\u201cQuando eu acordo, eu j\u00e1 acordo cansada. Sabe quando voc\u00ea dorme e tem a sensa\u00e7\u00e3o de que no outro dia acordou disposta, descansada? Eu j\u00e1 acordo como se n\u00e3o estivesse dormindo\u201d<\/em>, diz.<\/p>\n<p>Segundo ela, mesmo com o crescimento dos filhos, a responsabilidade com a casa e com a fam\u00edlia permanece. <em>\u201cEu acho que a rotina de casa, ela n\u00e3o \u00e9 percebida. Porque, por mais que os filhos cres\u00e7am, a administra\u00e7\u00e3o da casa continua sendo da m\u00e3e, a responsabilidade, a lideran\u00e7a da casa permanece sendo da m\u00e3e\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>O cuidado tamb\u00e9m desgasta<\/strong><\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Suzana reflete um padr\u00e3o hist\u00f3rico que ainda organiza a din\u00e2mica familiar. Segundo a professora do curso de Psicologia da Unile\u00e3o, Em\u00edlia Suitberta, essa l\u00f3gica est\u00e1 relacionada \u00e0 forma como o trabalho foi social e sexualmente divido ao longo do tempo.<\/p>\n<p><em>\u201cOs homens passaram a exercer um trabalho fora de casa, um trabalho produtivo, que tinha valor, que recebia sal\u00e1rio, enquanto as mulheres passaram a ficar presas dentro de casa, com um trabalho que era essencialmente um trabalho reprodutivo, o trabalho de cuidado\u201d, <\/em>destaca. Ela avalia que esse trabalho, apesar de essencial, ainda n\u00e3o \u00e9 reconhecido como tal.<\/p>\n<p>Citando a fil\u00f3sofa Silvia Federici: <em>\u201cO que chamam de amor, n\u00f3s chamamos de trabalho n\u00e3o remunerado\u201d<\/em>, a professora Em\u00edlia acrescenta que todo esse cuidado necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o da vida e das estruturas dom\u00e9sticas \u00e9 um trabalho, mas invisibilizado pela sociedade. Mesmo com a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado, a sobrecarga permanece.<\/p>\n<p><em>\u201cA mulher tem a necessidade de sair para o trabalho produtivo, mas o trabalho reprodutivo de cuidado permanece sob a sua responsabilidade. Muitas vezes, mesmo quando h\u00e1 divis\u00e3o de tarefas, o planejamento do que deve ser feito continua sendo da mulher. Isso \u00e9 carga mental\u201d, <\/em>explica.<\/p>\n<p>Esse ac\u00famulo impacta diretamente a sa\u00fade, de acordo com a professora. <em>\u201cEsse ac\u00famulo de trabalho, com pouca possibilidade de descanso, tem levado muitas mulheres a, de fato, adoecerem, ao que a gente tem chamado de burnout parental\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Quem cuida de quem cuida de mim?<\/strong><\/p>\n<p>Ao compartilhar sua experi\u00eancia, Suzana, que abre esta reportagem, avalia: ser m\u00e3e \u00e9 ver que as filhas se tornaram as mulheres que ela gostaria de ter sido. Ainda assim, evidencia as dificuldades da maternidade,<\/p>\n<p><em>\u201cQuando a gente \u00e9 m\u00e3e, a gente vive as nossas dores, mas \u00e0s vezes elas s\u00e3o colocadas de lado. As dores de mulher, de mulher que n\u00e3o realizou alguma coisa, que queria alguma coisa que n\u00e3o aconteceu. Eu sou mulher antes de ser m\u00e3e. Mas eu tamb\u00e9m sofro as dores que s\u00e3o de m\u00e3e. Ent\u00e3o, s\u00e3o muitas dores para dar conta\u201d, <\/em>desabafa.<\/p>\n<p>Segundo ela, a preocupa\u00e7\u00e3o com os filhos n\u00e3o desaparece com o tempo. <em>\u201cA gente ainda observa os filhos, ainda tem que pensar se eles est\u00e3o bem emocionalmente, fisicamente, mesmo sendo adultos\u201d<\/em>, pontua.<\/p>\n<p>Suzana defende que uma forma concreta de devolver esse cuidado \u00e9 sendo percebida. <em>\u201cDa pessoa te olhar e te perceber nas suas necessidades mesmo, n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsicas, mas afetivas\u201d<\/em>, diz.<\/p>\n<p><strong>Ampliar o olhar<\/strong><\/p>\n<p>Neste Dia das M\u00e3es, o convite da Unile\u00e3o \u00e9 ampliar o olhar para reconhecer, valorizar e, principalmente, compartilhar o cuidado. Afinal, por tr\u00e1s de toda m\u00e3e que cuida, existe algu\u00e9m que tamb\u00e9m precisa ser cuidada.<\/p>\n<p>Para a professora Em\u00edlia, \u00e9 muito importante n\u00e3o romantizar a data. Ela lembra que muitas vezes a chamada \u201cm\u00e3e guerreira\u201d \u00e9, na verdade, uma m\u00e3e sobrecarregada. E isso n\u00e3o significa mais ou menos amor pelo filho. <em>\u201cS\u00e3o sentimentos de ordens diferentes. A m\u00e3e pode amar muito o seu filho e ainda assim estar sobrecarregada com a maternidade\u201d,<\/em> reflete. Por isso, defende que \u00e9 fundamental colocar luz sobre a import\u00e2ncia de cuidar da sa\u00fade mental materna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Unile\u00e3o prop\u00f5e um olhar mais atencioso para a rotina de mulheres e pessoas que conciliam trabalho, fam\u00edlia e o ato de maternar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":72598,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-72597","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-institucional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=72597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/72597\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/72598"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=72597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=72597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hml.unileao.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=72597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}